O amargo de boca que sentia com o aproximar da hora de retorno a França tornou-se mais amargo quando vi o meu pai a tentar esconder as lágrimas. Foi a segunda vez que o vi a chorar, tendo sido a primeira durante o funeral do meu avó (pai dele).Até o céu parecia chorar com a queda das primeiras gotas de chuva enquanto o avião se aproximava à pista. Só o sorriso do Gui e a velocidade com que ele deitou abaixo o biberão durante a descolagem me fizeram esquecer a melancolia, respirar fundo e preparar-me para o embate dos 3ºC que me esparavam em Paris
Apercebi-me hoje que não sou o mesmo que era há dois meses atrás. Longe vão os tempos de inconsciente e solteiro, tendo a Paternidade transformando-me num "cagão". Até parece mentira! Mas hoje o meu estado de espírito quando levava o Gui a ser vacinado era em tudo semelhante ao de Abrão enquanto subia a colina com o seu filho Isac. E para ajudar, eis a "banda sonora" que me martelava na cabeça ao entrar no posto médico.